sábado, 1 de outubro de 2016

Mestrando um jogo de RPG de Mesa

Mooores, tudo bom?
               Hoje quero dar algumas dicas para vocês quanto a mestrar RPG. Primeiramente gostaria de ressaltar aqui que ando estudando bastante a cerca do tema, já que tem sido meu foco de trabalho de conclusão de curso, de pós em psicopedagogia. Sendo assim se você que está lendo é professor, e se sente interessado no tema, já deixo aqui uma matéria do site nova escola, que conta sobre professores que embarcaram nesses chamados jogos de interpretação, e que explicam como usar o recurso para ensinar conteúdos do 6º ao 9º ano. Galera, dá outro ânimo para começar a ensinar com esse método. E olhe, não se preocupe se você é professor de matemática, física, química, português ou história. Para qualquer matéria existem mil e uma possibilidades.
               Graças a minha falta de experiência narrando RPG (nunca narrei), decidi fazer uma pequena entrevista com alguns mestres que narram a algum tempo. Escolhi o meu namorado, pois acompanho a quase 2 anos o empenho dele em criar histórias para quantas pessoas quiserem entrar no jogo, além dele mais dois amigos que também mestram e parecem ter uma desenvoltura incrível para ser mestre, o Douglas Leite e o Vítor Silva. E já agradeço demais aos três por terem respondido as perguntas, sério!!! Amei cada resposta, e espero que muitos se inspirem e sintam vontade de narrar também. E aí, vamos a entrevista?

P.S: Achei melhor após cada pergunta, colocar as respostas dos três narradores ok? Espero que achem as respostas tão incríveis quanto eu achei quando as li)




1. Como conheceu o RPG de mesa?

Jorge: Eu conheci o RPG de mesa na minha adolescência por amigos de escola do qual me fizeram um convite pra conhecer, na época eu já gostava de RPG online então decidi ver como era.

Douglas: Antes de jogar RPG de mesa eu costumava jogar interpretando os papéis dos meus personagens de jogos online com outros amigos. Então eu comecei a pesquisar sobre isso na internet e acabei descobrindo o RPG de mesa, primeiramente online pela indisponibilidade do pessoal.

Vítor: Bom, conheci o RPG com 9 ou 10 anos de idade na escola, com um grupo de meninos que jogava. Mas eu não me interessava no inicio. O que me chamou atenção a principio foram às cartas de um jogo chamado Magic The Gathering, fiquei curioso como se jogava aquilo, e uma coisa atraiu a outra, mas acabou que fiquei mais atraído pelo RPG mesmo. Imaginar um mundo onde você pode ser um grande herói e salvar o mundo de ameaças. Conheci e fiz amigos que levo até hoje comigo. Amigos que me apresentaram o melhor jogo e hobby que tenho hoje. Um dos motivos que me levaram a ser ainda mais atraído pra o RPG era o fato de sofrer Bullying por conta de outros alunos que eram melhores financeiramente de vida que eu. Eu nem ligava pra isso e até hoje não ligo, mas na época pessoas que eu pensava que eram amigos, só eram pessoas com a intenção de humilhar e maltratar quem fosse menor que eles. Hoje em dia eu agradeço muito pelos amigos terem me colocado no caminho do RPG rsrsrs

2. Quando você decidiu se tornar um narrador, quais foram medidas que você tomou para se preparar para narrar uma sessão?

Jorge: Decidi me tornar narrador após jogar algumas vezes. Como jogador eu conseguia ver muitos desfechos para as histórias, então resolvi tentar narrar. Comecei a ler alguns livros de RPG e assistir filmes para me preparar.

Douglas: Eu sempre gostei muito de criar, seja lá o que fosse. Eu gosto de exercitar minha criatividade. Como narrador eu posso interpretar vários papéis e dar vida a cada um deles e também ao cenário. Não existe uma fórmula para começar a mestrar, tudo requer prática e com o RPG não é diferente. Pessoas mais tímidas podem ter mais dificuldade, mas uma boa dica para quem quer começar é começar narrando para amigos mais próximos e deixar bem claro que você é iniciante naquilo, assim o pessoal vai relevar alguns erros que é comum cometer no início além de dar alguns toques para você melhorar mas, além disso sempre é bom estar pesquisando sobre dicas de narração e interpretação, recomendo o blog Nitrodungeon.

Vítor: Sempre gostei de escrever e com o RPG isso ser tornou mais frequente e desafiador. Não sou nenhum monstro no português, mesmo porque sou de exatas rsrs, Mas eu gostava de escrever. A partir do momento que eu comecei a jogar RPG, achava surpreendente que uma única pessoa pudesse criar tudo aquilo de cabeça.
Um dos cuidados que eu tive, foi o de ser uma sessão divertida para todos.Mas isto seguindo as regras do sistema, e não sendo um narrador tirano, já que era minha primeira sessão e não queria que os jogadores tivessem uma impressão errado do jogo. E que por gostarem, pudéssemos marcar outros jogos.





3.  Como foi a primeira vez que narrou? Teve dificuldades?

Jorge: A primeira vez que eu narrei foi numa mesa online Sim online!!!! Usávamos um programa chamado RPG2IC no qual eu podia criar npc's (personagens), mapa e utilizávamos o skype para comunicação de áudio. A principio tive certa dificuldade na narração pois exigia muito mais de mim do que o que eu esperava, mas os jogadores me auxiliaram bastante nesse caminho com a experiencia deles e conseguimos desenrolar a história.

Douglas: A primeira vez que narrei foi online, o que me auxiliou bastante pois não tive que lidar com "os olhares" e nem me preocupar tanto com o tempo e a interpretação de cada personagem, pois eu podia escrever, ler, reler, apagar o que eu não tinha achado legal, corrigir e enviar, o ritmo em uma mesa de jogo online é de 3 a 4 vezes mais lento que pessoalmente, pode ser uma boa pra quem tá começando. Creio que a maior dificuldade tenha sido justamente a falta de experiência, aquele desesperozinho quando os jogadores estão indo por um caminho completamente diferente do que você havia passado horas e horas planejando e você precisa inventar tudo naquele momento.

Vítor: Sempre gostei de ser narrador, mas a oportunidade veio com alguns amigos da minha cidade que se empolgaram com a ideia de jogar. Eu fiz uma história em duas horas eu acho, e enquanto eu fazia a história eles faziam as fichas. Lembro até hoje que foi Survivor de Zumbies. Por incrível que pareça não tive dificuldades quanto a adaptar os jogadores e a história foi tranquila. Fazer o cenário funcionar foi bem divertido, trazer para os jogadores uma incrível aventura é forma divertida de se jogar.


4. Quais são as maiores dificuldades quando você está narrando, e como contornar esses problemas?

Jorge: As vezes eu como narrador tenho dificuldade em ''temporalizar'' as sessões fazendo com que elas fiquem muito extensas e dependendo do jogador termina se tornando cansativa, então tento colocar que cada jogador com uma média de 30 ~45 mim por sessão.

Douglas: Podemos citar entre as maiores dificuldades:
  • Reunir um bom grupo e definir as datas em que haverão jogos em que todos compareçam;
  • Falta de imersão, quando os jogadores não conseguem mergulhar na história o quanto você queria e acabam deixando o jogo mecânico e sem graça.
  • A atenção ao jogo, hoje em dia o celular se tornou um grande vilão do RPG, pois os jogadores não se concentram mais tanto assim no jogo.
  • E o tempo para um bom planejamento, fator que influencia absolutamente tudo;

Esses são alguns, ainda há outros pormenores.

Vítor: Acredito que seria quando algum personagem falta a sessão, e esse mesmo personagem (jogador) tem alguma informação para passar para o grupo, ou quando o jogo os jogadores querem mais zoar a mesa do que jogar. Pra contornar isso, eu tento acrescentar mais coisas ao jogo para que não fique preso só naquilo. Então ai que entra as missões secundárias, aventuras pequenas que podem ser resolvidas em uma sessão de jogo.

5. Qual é o livro que usa como base para narrar suas histórias e porque o escolheu?

Jorge: Já joguei em alguns sistemas diferentes como: Gurps, Terra devastada, D&D, Sistema Próprios e 3D&T. Dentre os quais escolhi 3D&T para narrar pois além de ser um sistema fácil para iniciantes eu consigo introduzir aos novos jogadores uma boa inicialização ao RPG de Mesa além da curiosidade de continuar a jogar, ou mesmo virar narrador.

Douglas: Já utilizei muito 3D&T pela simplicidade, você pode explicar as regras básicas em alguns minutos e já está pronto para jogar, mas ele não é o melhor para jogadores mais experientes por ser extremamente simplista, para esses jogadores mais exigentes o D&D se encaixa melhor por ser bem detalhista.

Vítor: Depende muito, eu amo de paixão dois sistemas de RPG, um é o famoso D&D ( Dungeon&Dragons), outro é o sistema brasileiro de Daemon, muito pouco conhecido e jogado, mas muito bom. Tenho um carinho maior pelo Daemon, mesmo narrando mais D&D, por ser um sistema brasileiro e também pela sua parte de descrição de Background de um personagem, bastante completa e detalhista. Já de D&D eu procuro pegar nele detalhes pra construir cidades, vilas, reinos, civilizações em geral, os livros te dão muito material para isso.

6. O que te motiva a continuar a narrar?

Jorge: Bem o que me motiva a continuar narrando, creio que seja minha criatividade para desenvolver historias e meu animo pra tal coisa pois realmente gosto de narrar, além de me estimular muito a pensar para desenvolver as histórias.

Douglas: Me divirto muito narrando, ver os jogadores mudando o rumo do universo que você idealizou é genial, vê-los interagindo com cada detalhe, ver tudo aquilo criando vida bem diante dos seus olhos é indescritível.

Vítor: Pra mim continuar a narrar, é ver no rosto dos jogadores que eles estão gostando do jogo, e da história que eu criei, ver que minha criatividade para narrar ainda é útil. Quero sempre melhorar mais e mais, por isso eu sempre pergunto no que eu posso melhorar em minhas narrações.


7. Qual é a dica para iniciar uma história de RPG pela primeira vez?

Jorge: Uma dica que eu dou aos narradores de primeira viagem é fazer com que os jogadores tenham livre liberdade de criação , isto, é 'claro com "bom senso''. E o narrador precisa ter sempre algo na manga como recurso opcional pois assim, caso algum jogador faça algo que você não esperava, tenha essa válvula de escape para que o desenrolar da historia seja agradável. E pra finalizar lembre-se o RPG é pra ser agradável. Se algumas das coisas descritas a seguir estiver acontecendo você deve repensar aonde estão os erros: brigas, discussões sem proposito de resolução, falta de comprometimento, chateação e privilégios (todos devem ter as mesmas chances que os demais). Bem é isso: o RPG é feito pra desenvolver a criatividade e deixar a imaginação fluir e não para brigar, pois se assim fosse não seria RPG e sim MMA =D.

Douglas: Pense sempre nos porquês das coisas, não faça nada simplesmente por fazer, dê sentido as coisas, por exemplo, não tem problema você querer substituir a água daquela cachoeira por rochas gigantes, mas por quê? talvez o feitiço de um mago muito poderoso tenha invertido o sentido das coisas naquele local e assim muitas outras coisas mudaram, perto dessa cachoeira são os coelhos que caçam os lobos, que por sua vez são herbívoros natos, por que não? dê asas a sua imaginação, inspire-se em livros e filmes, seus jogadores não vão se importar se você copiar aquela ideia genial, eles apenas querem se divertir.

Vítor: Não existe muito mistério pra isso, ler bastante, tanto livros de RPG quanto livros como Senhor dos Anéis, Harry Potter, entre outros, escrever, não ter medo de escrever e de se expressar para as pessoas. Escreva uma história que você acha que os jogadores irão se divertir e se empolgar.



Espero que tenham gostado, e principalmente que se sintam instigados a começar a narrar. Em breve, farei um post relacionado a como organizar um grupo de RPG. Acreditem, também é uma parte complicada do jogo, como relatado pelo mestre de RPG Douglas haha' Para quem quer conhecer alguns dos sistemas que conheci e gostei muito de jogar, clica aqui. Pode ser um começo para escolher o sistema que é mais a sua cara e começar a estudar e se planejar. Enfim, abraços da professora.

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